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METODOLOGIA

Como liberar a energia criadora que jaz dentro de nós, imobilizada pela crítica, pela autocrítica, pelo medo e pelas idealizações perfeccionistas, neurotizantes e inibidoras?

Conforme uma noção simples, método significa um conjunto de regras ou o caminho que devemos seguir para atingir um objetivo previamente determinado. No nosso caso, o alvo é a libertação da energia criadora do inconsciente, do emocional que jaz no nosso interior para expressá-la em determinada atividade artística.

A regra inicial é o relaxamento corporal e mental, cuja função é suspender o domínio do processo racional da crítica e da autocrítica, duas forças inibidoras da fluência da energia criadora. Com a suspensão da censura do consciente, as palavras e as imagens podem fluir livremente. Por isso, a teoria do inconsciente de Freud foi importante para arte e a literatura. Segundo o surrealismo de André Breton (Manifesto Surrealista, 1924), escritores e pintores passaram a aplicar as forças inconscientes em suas criações artísticas.

Conforme a orientação do Psicodrama, o processo criativo foca as pessoas intra e inter-relacionamentos dentro do grupo. A metódica é liberar, através do relaxamento e da suspensão da mente racional (crítica e autocrítica), a energia criadora espontânea adormecida dentro de cada pessoa, como indivíduo único, mas em vínculo com o grupo, onde a auto-aceitação de cada um e a aceitação de todos os seus membros se complementam como forças dinamizadoras do processo criativo, para que a mente emocional criadora, liberada se desenvolva.

Além disso, a conjugação da auto-aceitação de cada um com a aceitação de todos gera um ambiente de confiança mútua, que ajuda a desenvolver a criatividade de todos.

É importante treinar a prática de deixar fluir. Embora a crítica e a autocrítica sejam importantes instrumentos de processo, sua utilização a priori pode barrar o processo criador; sua aplicação posterior pode permitir um salto da quantidade para a qualidade. Tudo é questionável, até a própria crítica.

Suspensa a mente racional, a regra seguinte é simplesmente fazer, sentido, sem pressa e sem preocupação com o resultado, o significado e a perfeição. Fazer-seu-melhor pode levar a paralisia; a busca constante do sucesso pode imobilizar e neurotizar. A perfeição é atributo da divindade e a imperfeição é atributo da humanidade. Como tudo na vida depende de aprendizagem e treinamento, o simples fazer constante pode nos levar a um aperfeiçoamento sucessivo, sem ponto de chegada.

O espírito humano é infinitivamente perfectível; nós podemos, mais do que acreditamos; a prova disso é a constante superação dos recordes no atletismo e o progresso da ciência.

Franca, 24 de maio de 2006.
Christiano José de Andrade