Sempre tive dificuldades em passar para o papel os inúmeros pensamentos que me vinham à cabeça.  Isso me custou o TCC em minha formação e minha primeira especialização em Orientação Profissional. Apesar de amar ler e ter compreensão do que estava lendo, a sensação que tinha é que quando escrevia não conseguia passar realmente o que estava em minha mente, desta forma preferia permanecer com tudo no mundo das ideias ao invés de concretizar o que pensava e sentia.

Vejo o ato da escrita como concretizar, se apropriar. Quando escrevemos, nos apropriamos daquilo e assumimos também o que está em nós. Compartilhamos com o outro. A escrita é uma possibilidade de troca de papel.  Quando lemos, nós nos colocamos no lugar do escritor, vemos através de seu olhar.

Logo que conheci o Psicodrama, conheci também o processamento escrito. Processar é uma forma de elaborar emocionalmente o que aconteceu na sessão psicoterapêutica, na forma escrita.  Foi ali que minha “chavinha” mudou (não inicialmente).

Era difícil pra mim, colocar em palavras… E se não gostassem?…E se ficasse muito ruim? …Tantos medos…

Na primeira vez, demorei horas para escrever nem uma página e quando li e meus companheiros de grupo trouxeram como minha escrita reverberou neles, fiquei emocionada. Percebi ali o poder da escrita. Cada um se conectou a uma parte diferente do texto, pequenos detalhes que os levaram a lugares existentes neles mesmos. É isso! Se ficarmos atentos, a escrita e a leitura podem nos levar a um lugar em nós que, às vezes, está escondidinho embaixo de afazeres, papéis, falta de tempo, medos…

Escrever é um ato de coragem.  Processar é um ato de reconexão com o que foi vivido. Em muitos momentos, foi no processar que consegui perceber algo extremamente importante na sessão.  Consegui escrever meu TCC de primeiro nível de psicodrama e o artigo no  terceiro nível e agora estou aqui escrevendo para você .

O que penso de tudo isso é que a vida nos trará desafios. Alguns deles parecerão totalmente externos, mas não se engane, no fim sempre tem a ver com nós mesmos. Processar me ajudou a entender e me libertar de meus medos. Meu avô sempre falava: “pra frente do medo, coragem”. Acho que aprendi com ele.

Quais são suas dificuldades? Já parou pra pensar sobre isso? Se não tiver medo elas vão ensinar muito sobre você.

Coragem!

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